Produção de Tecidos Japoneses

Tecidos Japoneses

A produção de Tecidos Japoneses é super interessante. Se você é apaixonada por tecidos , já deve ter visto aquele monte de importados, não é verdade? A principal coisa que diferencia o tecido importado do nacional é o preço. Mas não é só isso, embora a matéria prima (algodão) seja a mesma, o toque deles é outro, as cores parecem diferentes e mais vibrantes. Dentre os importados, já deve ter reparado como são diferentes os tecidos japoneses. Existem várias técnicas de fabricação e estamparia por lá.

Para os orientais os trabalhos manuais são tratados tão seriamente, que não é de se espantar ver o cuidado minucioso com que cada artesão desenvolve do tingimento e confecção dos tecidos japoneses. A seguir iremos conhecer um pouco melhor algumas das técnicas mais tradicionais.

(mulheres trabalhando com a matéria prima)

 

Tsumugi

 

(tecidos Tsumugi) 

Este é um tipo de fabricação do tecido tão tradicional que foi considerada um dos  maiores patrimônios imateriais do Japão e a UNESCO considera um patrimônio cultural intangível da humanidade. O processo é feito todo manualmente, desde o tratamento do casulo do bicho da seda, passando pela fervura, tratamento, fiação e o tingimento dos fios para só depois fazer a trama do tecido. Ele não é estampado, o desenho é criado através da trama de fios coloridos. Esses tecidos costumam ser utilizados para a confecção de quimonos e algumas peças utilitárias. Observe que processo interessante no vídeo a seguir:

 

Nishijin-ori

 

(tecido Nishijin)

 

Esta técnica já possui mais de 1200 anos e é originária da cidade de Nishijin. Os tecidos japoneses se formam da trama de fios coloridos, como no Tsumugi, mas neste caso os fios não são feitos à mão. Em sua maioria, as estampas criam desenhos tradicionais que retratam cenas cotidianas da história japonesa. Tem aspecto brilhante, acetinado e são bastante coloridos. Durante o período da guerra o tecido deixou de ser produzido, mas depois da guerra, com a soma do conhecimento e maquinário europeu, a produção foi retomada e modernizada. Os tecidos são utilizados para fazer cachecóis, quimonos de cerimônias e decoração.

Bingata

(painel artístico Bingata)

 

(quimono imperial feito com tecidos Bingata)

 

Bingata é uma técnica de estamparia artística que já tem mais de 400 anos e, dentre os tecidos japoneses, este é o que traz uma parte da história do Japão, pois essa forma de tingimento é originária da ilha de Okinawa e foi desenvolvida para atender as exigências do governo japonês sobre a ilha. É uma técnica que utiliza pigmentos naturais para tingir o tecido e stencil para criar os desenhos. O tecido é brilhante e geralmente traz desenhos com temas naturais. Durante a guerra o fornecimento de matéria prima ficou prejudicado, por isso determinadas cores, o amarelo, por exemplo, eram muito caras e acabavam sendo utilizada apenas para a vestimenta da nobreza. Já os tons escuros foram mais popularizados. Após a segunda guerra houve uma retomada desse processo produtivo, deixando a confecção sob a responsabilidade de algumas famílias que passam adiante os conhecimentos sobre a técnica e que mantém em segredo a formula do preparo da tinta. Os tecidos são utilizados, na maioria das vezes, para a confecção de quimonos para cerimônias. A confecção de um único quimono pode demorar até um mês, o processo conta com 10 etapas, por isso os preços são elevadíssimos. Mas são trabalhos fantásticos!

 

Sashiko

 

(tecido com bordado sashiko)

 

(reparo de peça usando a técnica sashiko)

 

Esta técnica é milenar e data do século XVII. Sashiko quer dizer “pequenas facadas”. É uma espécie de bordado funcional e ao mesmo tempo decorativo. Em princípio esse tipo de bordado era utilizado para fazer reparo em roupas rasgadas ou com a finalidade meramente decorativa. Por causa dos pontos o tecido fica mais estruturado e resistente. Sempre é utilizado o fio branco (que tem o nome da técnica “sashiko”)  sobre tecido azul índigo e os desenhos costumam ser geométricos. Sashiko é o nome do fio utilizado para fazer o bordado.

 

Shibori

 

(padrão de estampas shibori)

 

Shibori é uma técnica de tingimento de tecidos japoneses, geralmente feito em base branca, formando padronagens, desenhos e texturas diferentes. Tradicionalmente utilizam a cor azul índigo e algumas outras cores escuras. A técnica consiste em costurar, dobrar, amarrar ou prender o tecido de várias maneiras diferentes para então mergulhá-lo em tintura; as partes amarradas ou presas não são tingidas o que dá forma aos desenhos. Os primeiros shiboris datam do século XVIII e foram encontrados entre os pertences de um imperador. Há um número infinito de maneiras de se unir, costurar, dobrar, torcer ou comprimir o tecido para shibori, e cada maneira resulta em padrões muito diferentes. Cada método é usado para alcançar um determinado resultado e também para trabalhar em harmonia com o tipo de tecido usado. Portanto, a técnica usada em shibori depende não só do padrão desejado, mas das características do tecido a ser tingido. Além disso, diferentes técnicas podem ser usadas em conjunto para obter resultados ainda mais elaborados.

Há técnicas de shibori que podem criar desenhos multicoloridos, mais elaborados do que os padrões de estampas. Veja neste vídeo alguns exemplos:

 

 

Esperamos que você tenha gostado de saber mais esse modo de produção.

 

Até a próxima!

Equipe Ana Cosentino

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Ana Cosentino

Sou apaixonada pelo Patchwork e pelo Quilting e acredito que o Patchwork tem o poder de transformar as vidas das pessoas.
Eu digo isso com propriedade, pois a minha própria vida foi... Saiba mais→

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